Fragmentos Betty Martins
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._________o escritor original não é aquele que não imita ninguém_________mas sim aquele que ninguém pode imitar__________/// [Chateaubriand]
._______aos tão solitários loucos
.d´almas puras.nuas.
das vestes negras procurando_____o___________.cavalgar________.as enormes.gargalhadas
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.Betty Martins________ como. sou cúmplice da loucura .dispo-tE________com o meu sorriso _____________ o meu livro_______________
.dans la tranquillité de mon esprit dans les couleurs dans la douleur et dans l'amour je vais en donner nom à chaque je fragment expectant portrait de moi__________/// ___________________ ______///____________ ______________///________
.de pé sobre o abismo e não morri.canto gregoriano muito limpo não me chegou________________ o fim _____________________catedral sobre o risco.sobre um azul tão grande que afundar-me podia ._____ao fundo do mais fundo mergulhei e não morri_________...________ .amei________[Ana Luísa Amaral]
__________///____________
.é tão "natural" destruir o que não se pode possuir - negar o que não se compreende - insultar o que se inveja_________________ [Honoré de Balzac]
______________________.


__________que seja seara 
as tuas palavras em mim 
lavra o meu corpo com o teu olhar 
e_________________ semeia no meu peito 
Glicínias de aroma doce 
de cachos de púrpura cor 
dá-me um beijo de aguarela 
e________colhe da minha boca 

_______________________poemas 

 lampejos de luz 
infinita cor 
faz deles um arco-íris 
pendura-o na ponta 
____________de ¼ de lua 

vamos fazer a dança da chuva 
desafiando os deuses 
mandando mensagens às estrelas 
dentro de bolas de sabão 
vamos desenhar sorrisos 
_______________na cauda de um cometa 
quero descobrir onde se deita a lua nova 
sentir a força da natureza 
quando um raio rasga a terra 
e__________________os rios faz nascer 

 Meus braços árvores sejam Esguias____erguidas ao céu 
O vento cante em meus ramos_____que o sol beijam 
Olhos d´água_______alimento teu 
 Chuva de prata______encantamento 
Embriaguez dos sentidos_____um quê d´errante 
Aroma.doce.despertar____________arrebatamento 
Seara de ti.em.mim.amado___________amante 


 © Betty Branco Martins

artist : Betty Martins


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.imagens e textos com Direitos Autorais de Betty Branco Martins



nada sei 
dos pássaros brancos_______aqueles que me visitam 
movendo-se como quem procura num astro 
_______ou em qualquer outro telhado 
a altura dos corpos pela manhã 
vertigens acesas nas ombreiras no experimental desenho 
de uma vírgula na máscara-carmim________que habita numa romã 
o vento não levou de viagem as nuvens brancas 
os amantes tomaram-nas como lençois devororando-as com os seus corpos 
que mistério...longo nos liga 
nestas roupagens douradas e azuis caídas no chão da memória 
feito um traço ____________ácido 
como sou cúmplice da loucura 
dispo-te com o meu sorriso 
e ________na linha vertiginosa dos meus sentidos liberto-te________________________
na nudez da minha voz 
preso na linha do horizonte corre um longo arrepio prateado 

cachos de apetites pesam e torcem 
_______como cepas de uma vinha 
na velúpia do silêncio 
vestes o meu ventre com a tua mão 

 © Betty Branco Martins

Artist : Betty Martins


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a luz e as palavras 
deixam os meus dedos trémulos 
 ou será o medo que habita em mim... 
um sorriso amargo acutilante como nunca vira antes 

 ____________ estendi o meu braço para te tocar ... mas só os factos pairavam sobre a minha cabeça como se aves apocalípticas fossem em voos espiralando um passado difuso ____________carregando o meu peito dum peso insustentável 

 os meus pés pisam em sobressalto um velho telhado como um retalho de céu caído nas mãos de um anjo que existiu por breves momentos 
___________deixando rasgos de luz no canto mais escuro dos meus olhos 


 © Betty Branco Martins 

acrílico s/tela - artist - Betty Martins


vestida de medos .. 
a noite oferece-me os gritos do silêncio 
 ______________não importa a tristeza que me possas trazer 
 eu risco – eu traço as tuas formas 
 lanças os teus braços longos e frios 
num acto sem conteudo 
 perdi os meus olhos no mar… só porque - eu te queria ver 

 corro sobre as ruínas dos teus cabelos 
 onde nascem árvores estaladiças de tão secas 

não existem portas em ti 
 como .. tudo está cerrado num perfeito cubo de pedra 
nada faz eco – porque nada entra 
 são “olhos” os meus dedos - procuram sentir a palidez da tua alma 
é tão profundo e solitário o lugar onde o teu corpo habita 
 a luz fere a escuridão do teu manto 
e a minha voz rasga a tua pele 
 ouves o coração da terra __________e julgas ser o teu 
 tudo está mais perto de mim até a lua

os caminhos corrrem nos teus pés parados 

e o céu coalhou a meus pés … 


 © Betty Branco Martins 

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Artist : Betty Martins




separa[te] 
do meu olhar no exíguo espaço que permanecem nos meus dedos vestígios de escrita espalhada na minha pele ou até mesmo no chão e as teclas são meus olhos seguem para o papel entre raios de luz poeiras e_____________horas linhas que seguem para o mesmo fim as sombras batem nas paredes e as palavras gritam.mudamente num silêncio de morte atravessam a rua tu__________________________________ … já ali!!! [a dor suprema dum abraço] os soluços das escadas teimam em se fazer ouvir da tua boca caíram livros no meu regaço faço traços arquitectando o sol-poente … nas folhas brancas um esboço !!! um céu caiu nos meus olhos e a dor …. é um fogo que vai moldando o meu corpo qual espada que atravessa o meu peito até aos limites do teu olhar ______________ ... 

 © Betty Branco Martins 

 Artist : Betty Martins



o medo contigo de mãos dadas

apanho pedaços de lua que a noite vai distribuindo
___________apenas escassos sinais

ela______________é como um rio__________a noite
que fendas ou poços se abriram
engolindo segredos
como facas ou espadas
que a ferrugem come
a comunhão com o mundo de L´Étranger_______o absurdo
e da estranheza de ser
das verdades______mais nuas e cruéis

por vezes o poeta que se quer à sua própria medida recusando a divindade trava com Deus à maneira de Régio um diálogo desesperado______"Senhor. se tu assim quiseste. fecha-me no meu corpo. e morre tu comigo_________________neste silêncio morto"


vive no vítreo olhar teu
a culpa e o medo


o perigo não pesou muito sobre a memória essencial. aquela - graças à qual nos reconhecemos ao acordar - aquela - que irriga a alma onde navegam os nossos deuses os nossos demónios - onde se depositam os factos de cada dia e onde a vida já percorrida cava a sua íntima perspectiva__ produziram-se um desarranjo brusco que perturbava o uso da palavra

__________não sou capaz de datar as manifestações iniciais desse desarranjo

lobo na neve
é nave e catedral
a sua fome puríssima
é o único vitral
que espelha o céu todo inteiro
só são cruéis os fantasmas_________ele é real

____________que distância avistava eu as palavras formadas pela minha mão à frente dos meus olhos
muitas léguas para além dos cactos onde me pico por desdém

os céus interrogam. de repente - o que podia deixar de existir_________ permanecendo viva. no fundo mesmo no fundo de nós - atrás dos muros das trevas onde se ausenta de nós próprios o pensamento - parte por atalhos - talvez a consciência dialogue com o Deus________ e recolha certezas aquando da morte__________ é que a alma sobrevive - mas será que a surpreendemos-à-nossa consciência?
a tua mão um dia embalou o berço_______e__________
deixou queimar poemas no fogão


é uma hóstia________ murmurei para comigo

as palavras são irresponsáveis precipitam-se ao primeiro clarão - dissipam as trevas procedem à conversão da fantasia em memória do mesmo modo que impõem aos interrogatórios da noite a coerência da sintaxe - quando - uma realidade não admite ser traduzida__________as pedras têm memória

_________que peso tem o esquecimento de um Deus

abotoaste o teu coração com botões de metal
e - embalas no teu colo___________a sombra fria
do teu ainda mais frio corpo
____________em que guardas

aquele segredo religioso - repugnante
que sabes - ser imprudente e trémulo
vive no teu vítreo olhar - a culpa e o medo

que mordam os pulsos - cantem

mas não me ofereçam pactos__________de piedosas intenções

© Betty Branco Martins

Artist : Betty Martins



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________começou a chover outra vez. chove tanto que nem parece Verão. ele sabe que depois daqueles dias de chuva ainda se pode ir até à praia. o calor faz-se sentir para além destas chuvadas.
mas estes dias são, os que mais gosta. a nostalgia o cheiro a terra – ou estar mais perto [dela]. esqueceu-se durante um momento de tudo o que já sabia baralhou-se e julgou verdadeiramente que o Verão já estava a acabar. gostaria que assim fosse - pois nos seus olhos é Outono_______________...

o carro - velozmente vai engolindo a estrada e a paisagem. agarrado-se às curvas para não sair disparado - a água entra pela janela a dar-lhe na cara como se o estivesse a cumprimentar ou a insultar.
vai muito depressa e quando olhou para o banco do lado apercebeu-se que não estava sozinho_____. e instantaneamente o seu cérebro - disparou uma citação que o faz arrepiar ...

as imagens têm duas maneiras de cativar: pelo que contêm de belo e pelo que conservam do pensamento_________...


arde
em mim como um incêndio
implosão

contemplo_________a luz
no movimento dextrogiro
pensamento dévio
segurar esses________alvos lençóis
sinais de permanência
da.gota.a.gota.do.minuto
aproximidade
qual diapasão
traduzindo a perene
da escrita
em cada célula
do meu [nosso]_________________corpo
torrente que passa
na ponte construída
dos meus braços
até ao teu olhar_______________que a segura


uma onda ou um grito
prolongando a noite

os raios de luar
dentro das palavras
como se tentassem guardar
para si os limites______________que são abstractos

uma imprevista curvatura
num ângulo desenhado
ou inventado
orquestração de sentimentos
gotas de prata
juntando-se
a____________________montante de um rio
eternizando o que é de tão etéreo


a chuva continua. pára o carro – deixa de correr – pensou. desliga a chave da ignição. num gesto de abandono___deixa a cabeça cair para trás. ali permanece - por um tempo – sem fim – sem tempo.
sentindo todos os aromas – sentindo-se mais.perto.dele.dela_________________[deles]

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tu em mim__________






que seja seara

as tuas palavras__________em mim
lavra

o meu corpo
com o
teu olhar


e semeia no meu peito
Glicínias de aroma doce
de cachos de púrpura cor
dá-me um beijo de aguarela
e colhe da minha boca

...__________________poemas


lampejos de luz
infinita cor
faz deles um arco-íris
pendura-o na ponta
de____________ ¼ de lua



vamos fazer a dança da chuva
desafiando os deuses
mandando mensagens às estrelas
dentro de bolas de sabão
vamos desenhar sorrisos
na cauda de um cometa
quero descobrir onde se deita a lua nova
sentir a força da natureza
quando um raio rasga a terra

e os rios faz nascer


meus braços árvores sejam
esguias erguidas ao céu
o vento cante em meus ramos que o sol beija
olhos d'água alimento teu

chuva de prata encantamento
embriaguez dos sentidos um quê d'errante
aroma.doce.despertar arrebatamento
seara de ti em mim amado___________amante


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alma minha________tua ...[...]...




.nuas silhuetas _____iguais.de.alma
mudamente.a
gravitação do desassossego
nas.mãos.mais.nuas
.na sombra.dos.lábios
morria.um.sorriso

morrendo ____se acendia
na ponta dos meus dedos

__________…

.não sei o significado daquele violento distúrbio. retrospectivo aquele frenesim do coração semelhantes a aflição que diante da catástrofe nos atira de um lado para o outro______ ou nos retém no mesmo sítio paralisados.

.o anel queboru –se
abriu.se
dividiu
.o segredo da chave

era contudo eu na fotografia. eu! que conseguia romper o circulo inatingível da planura

_________...

.uma ânfora
de.vidro cobre
o silêncio onde a ânsia se esconde
.a.palavra.a.dizer
mancha o invisível

...

.se alguém tivesse dito naquele momento____ que desfeito como um sonho ao acordar. eu entrara na fotografia!!! não o teria desmentido. por um instante partilhei com o menino até nele me fundir…o medo de permanecer prisioneira na vasta extensão para ele_________ainda sem saída

.o tempo destelhou a outra metade do céu
.reconheço [me]________[nele] o jeito precoce dos meus cabelos obstinados a cobrir-me de viés uma parte da testa. reflecte no rosto uma vontade calma mas inflexível. nada a confessar!!!
a voz da terra
veludamente assumia as nuas mãos
o irrefutável _______[…]

poço
sem.fundura
.o mergulhar.pela.vida___________adentro
palavras rodeadas.de.longes
ousadia livre da sua equanimidade
sepulturas.do.teu.colo dissimulam
as raízes que eu

procuro 


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.rastejantes os minutos
vão algemando os olhos____dos homens ao tempo

.um re.canto.de.chão.aveludado
molda-se ao corpo.como.um.colchão
de______________________rosas.de.cinza.lama

.que deixam o sabor da luz muito para além do sol

.esquartejada a voz
retoma os espelhos.baços
deixando transparecer a indubitável noite
temerárias as tuas mãos________não reconhecendo a indulgência
da insustentável evidência

lacradas as portas dos pulsos
vogava o grito íntimo
corrente.o.sangue
no.resgatar
a fresca madrugada a ressumar.dum corpo

são.gotas.de.vida
como.chuva.mansa

caindo dos céus de vidro

._______________ajudando o silêncio a adormecer



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_____________________________?


...




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folhas...





no voo das cegonhas
fotografo no espaço
nas palavras
as________folhas.de.um.calendário.trocado
uma chuva
de.promessas.em.envelopes.selados
rasgam as persianas
dos.corpos.que.se.passeiam.pelas.ruas
ajustando.se.à.estranheza.da.escuridão
no tormento da inquietude
que.habita.no.espírito.do.artista
que chora a mutilação da natureza

cada aresta se curva ante uma esquina
cerrada abruptamente.após.o.movimento
a sombra que dos dedos e dos gestos se solta
veste a folha com as palavras
que.a.vão.engolindo.tão lentamente



como classificar o que de tão vago___________[parece]

_____________...não me deixes só
com a cor do fim.não me deixes só________...

o tempo transforma-se
tal qual a palavra lendária
que se esboroa em seu corpo de árvore
faz-se e desfaz-se__________até no imprevisto
sabor dos frutos das nuvens
no lento entardecer

ergue-se da montanha.o.grito.sem retorno


a grande lezíria

do silêncio__________


© Betty Branco Martins





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no.arrepio.das.palavras





íntimos.cúmplices
num arrepio de olhar
que as folhas de um outono. inexorável
dançam de vermelho.e.amarelo. ocreoso
tombando de cansaço.no.peito.feito.chão
sulcado pelas tempestades

vidraças.quebradas.olhos tangentes
visando.um.mundo.aprisionado.nos vidros estilhaçados
selvagem.torrente________coalescer a um sangue.cálido
que flui à nascente dos meus sentires

.rasgo os ângulos da minha pele _______que implora o peso do teu nome
que vive.nos.estriados espelhos do crepúsculo
dum tempo em que habitas
apenas os segundos

.morre-se nas palavras por dizer




atear fogo ao interior das vogais
para que a denúncia não irrompa
e o escudo do meu peito não se abra
feita a leitura.das.páginas.em.branco
que pesam nas minhas mãos
o soberbo peso das altas.montanhas
que teimo em escalar.vertiginosamente
agarro o fio.de.luz.que me conduz ao cume.da.memória
lugar onde enterro todas as minhas armas
e amarro.os.meus.sentidos____________nas vagas de coragem

© Betty Branco Martins


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.um pequeno.parêntese.do.tempo





porque escuto o choro.dos.versos.duma.canção.morta
na in.diferença passível da pedra
sortilégio!!!

um lugar no peito côncavo.vazio - porém – coactivamente____ainda___...!...

ao abrir uma velha arca encontrei – uma pietà________sem fuga a memória sucumbe a recordações

a inexorabilidade do irreversível põe-me face a face com a verdade. uma certeza que tudo é urgente na vida

os degraus de.pedra.castelos.eram
na imaginação de criança.viver dezembro num vernáculo sentir

{.acontece o tempo.real das vindimas}

.um pequeno
parêntese.do.tempo
.
.

uma doce aragem
levou a grande porta de madeira.a.fechar-se
_______tão docemente que não se ouviu

apertei o laço
forte entre a liberdade e decisão_______...


© Betty Branco Martins


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sous un regarder




…!! não
tenho tecto sobre asas
tenho
o
vôo da liberdade________...

nos grandes cântaros vazios______estravagantemente vou-me prodigalizar.e ser luz de raio onde ventos e marés____gritam o melhor da sua natureza.agarro todas as forças generosas que me cingem tempestades.sol.água.vida_____exutório que se transforma em fontes ubérrimas________não só do fundo irrompem____mas.do.alto.dum.céu_____derramando.todo.o.saber.esculpindo com imaginação cada palavra______...____no fender ou na agudeza_____dos sentires

.______ah! aquela uma nuvem de inverno sempre atrás de mim permanece.tu.que.me.persegues____!!!________finges tanta coisa que já não sabes quem és. queres libertar-te do silêncio______mas continuas surda nas palavras__________////

{olhei para os seus olhos.irrequietos. cara.estreita.afilada
de quem usa touca de puritana
dum golpe só.fiz a autópsia____revelou que se tratava duma ratazana}





.traçado um esboço
na linha longa das árvores
rua.um.tanto vazia inventando janelas
apontando
para o segredo dos bosques
.que me devolve o gume______das palavras


. excêntricamente entranhada
nos ossos tenho a___fúria.e.o______não.medo.de.a.sentir._______a vulgaridade.faz.me.mal.à.pele.e.tenta.o.acerto.dos.ponteiros.dos.relógios.atiro.os.todos.contra.a parede.para voltarem_____à minha [a]normalidade

com um desprendimento assustador.penso que jamais compreenderei:______la pauvreté de intellect et de l´esprit







caem.tombam______sob o reflexo do meu olhar._______ le mien il sublime vol________amo.os.invernos.em mim
corre.o.criar
o.sangue.vivo.da.diferença.do
.dizer_______///


.sentir

sem cegueira-selectiva

.quem atinge o sétimo céu da solidariedade humana__________?

.apenas quando vêem
a terra ensopada de sangue.imagens.armas contundentes

.aparece de todo o lado
gente-sofredora de histeria-esmoler
esvaziando.os.seus.sacos
particulares de piedade
dando esmolas
.imensas esmolas

uiva o vento
numa tentativa de sacudir
as.mentes.apodrecidas








.dos seus coxins superiores de nuvens-fofas num céu_______à la carte


.sentada ao piano______sem teclas
.ah! mas os violinos_____in E major


.acerto a respiração nos olhos
que me refaz o sabor________nas mãos
.e
atravesso as brancas searas do
.frio
.da sede
criando as.açucenas eternas…

sublime dans mon vol solitaire en permanence


© Betty Branco Martins



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rendidos






esmagas sobre o meu corpo
maduros bagos de uvas doces
atravessas
os limites dos meus sentidos
na linha mais vertiginosa
[es]corre
a macia cor de rubi
que fulgurantemente – de uma forma tão necessária
vai marcando
o íntimo de cada traço
dando-te sinais
para que de mim [nós] – sempre saibas

[a tua presença azul]

...os cabelos presos na nuca com perfeição.
um vestido preto comprido que descobria os ombros - os braços - as costas e a parte superior do busto - a exaltar a elegância e a opulência da sua figura…


deslizei no teu corpo
deixando o rasto
do meu cheiro

lambo os teu olhos
provo o teu olhar

rendido[a] – rendidos


...descalçou os sapatos e caminhou até à água diante da qual ficou um instante imóvel. depois desabotoou a parte de cima do vestido que lhe caiu sobre as ancas - deixando à vista uns seios que tinham a voluptuosidade - eloquência resultante destas duas coisas: a firmeza e a plenitude de uma mulher...


visto-me de nudez
e
com rendas de doce luz
dou-te o meu sorriso
linhas do meu corpo - ser paisagem
aos teus olhos de desejo – ser viagem





…olhou à sua volta e os seus olhos detiveram-se no jardim - em seguida - fez deslizar o vestido sob o qual estava nua. entrou devagar na água - e não se sabia - naquele corpo que se desvanecia a pouco e pouco na imersão. o que o levava______se a beleza quase abstracta dos contornos se a sensualidade da carne em movimento…

cúmplice do meu ventre
a tua boca
que dela quero beber – como fonte única

desejas a linha longa do meu corpo
nesta [que será] a eterna madrugada
peixes dançam
para que não esqueçamos - o mar
é de vidro

que prazer nasce em nós – que em nós não cabe

retenho a demora
da essência quente – das tuas mãos
atravessamos o vidro – dos gestos
toco-te o nome
na boca onde habitas
vertigens flutuando
no experimental ângulo
na máscara
cor de espuma
que se deseja azul

.como respiras na minha pele _____[...]


© Betty Branco Martins




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música desde novembro de 2004
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Retorno incorpóreo

Aos poucos tudo voltou a fazer sentido. Renascido das trevas, a luz impôs a presença e patenteia o caminho que perpetua o existir. Ele está aqui agora com mais pedras, que guardarei todas para construir um castelo rememorando o poeta. Aos poucos o dia alcançou a força exposta em resumo para não mais terminar. O tempo transporta horas apressadas ao ritmo de outrora e revela a vida no despertar quotidiano, inevitável, imperativo. Aos poucos o futuro é novamente abstracto, sem horizonte. Imprescindível na mente onde o que foi ausente agora é defronte, permanente e presente. Aos poucos o sorriso sustenta o sonho que conduz a essência ao peito. Confesso-me grato ao efémero que oculto cegou o resguardo e o respeito por mim que agora recupero aos poucos à integridade, socorro o corpo sem corpo, incorpóreo e a alma pode finalmente voar.

.____________________________///
Dedico a TI, Betty, estes rabiscos que me recolocaram na rota, num determinado momento da minha vida. Contigo, sustento as asas de um sonho, no mais alto voo a ser íris em arco aos olhos de Deus.

._________Paulo meu querido. beijO__ternO Intemporal

.posso ter defeitos
viver ansioso e ficar irritado algumas vezes___________mas não esqueço de que a minha vida é a maior empresa do mundo.e que posso evitar que ela vá à falência
.ser feliz
é reconhecer que vale a pena viver
apesar de todos os desafios - incompreensões e períodos de crise
.ser feliz
é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.é atravessar desertos fora de si.mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma
____________é agradecer a Deus
a cada manhã pelo milagre da vida
.ser feliz
é não ter medo dos próprios sentimentos.é saber falar de si mesmo.é ter coragem para ouvir um “não” é ter segurança para receber uma crítica.mesmo que injusta
.pedras no caminho?
.guardo-as todas
.um dia vou construir um castelo_________...
[Fernando Pessoa]